Após uma semana sem água, moradores do José Walter organizam protesto e cobram respostas da Cagece

Abastecimento na região foi interrompido na última terça-feira (7) devido a reparos no sistema de fornecimento da Grande Fortaleza.

Escrito porPaulo Roberto Macielpaulo.maciel@svm.com.br

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Moradores do residencial Cidade Jardim, no bairro José Walter, em Fortaleza, organizaram um protesto na noite dessa segunda-feira (13) em resposta à falta de abastecimento de água na região.

Os manifestantes chegaram a bloquear trechos da Avenida Presidente Costa e Silva, próximo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) José Walter. Segundo eles, a escassez de água no local se estende há sete dias, impedindo-os de realizar atividades básicas, como tomar banho e lavar roupas.

Vídeos enviados ao Diário do Nordeste mostram que equipes da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) foram acionadas para conter a população. Ninguém se feriu e a manifestação ocorreu de forma pacífica.

Em contato com a reportagem, a dona de casa Germana Aurélia Alves, de 23 anos, moradora do Cidade Jardim, relatou que não teve um retorno satisfatório da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) desde a interrupção momentânea do abastecimento de água na Grande Fortaleza, ocorrida na semana passada.

“Estamos há dias sem água. O mais grave é que essa não é a primeira vez. Em menos de um ano, já enfrentamos diversos episódios de falta de abastecimento, sempre com prejuízos para quem paga a conta em dia”, disse.

Germana tentou entrar em contato com a Cagece durante o fim de semana, mas não obteve sucesso na maioria das vezes. Quando conseguiu, recebeu a informação de que o serviço seria normalizado até esta quarta-feira (15).

Porém, segundo ela, a ouvidoria da entidade deu um prazo diferente: até esta terça-feira (14), ao meio-dia. Agora, ela espera que a previsão seja cumprida a tempo.

“Nós [os moradores] já estamos cansados dessa situação. Quem mora nos apartamentos térreos ainda consegue ter uma água de vazão fraca. Mas quem vive no terceiro andar, como meu caso, não tem acesso a nada”, desabafou.

Estatal recomenda a população que a água reservada seja usada com moderação, privilegiando o consumo humano e as atividades essenciais

Legenda: Estatal recomenda a população que a água reservada seja usada com moderação, privilegiando o consumo humano e as atividades essenciais

Foto: Fabiane de Paula

Falta d’água também atinge o Conjunto Ceará

Uma situação parecida vem acometendo moradores do bairro Conjunto Ceará. Relatos enviados ao Diário do Nordeste afirmam que cinco ruas do bairro estão sem água desde a última terça-feira (7).

A professora Rebeca Oliveira, de 26 anos, foi uma das afetadas. Ela contou que precisa se deslocar até a residência da mãe, no bairro Granja Lisboa, para poder lavar roupas sujas, tomar banho e fazer as necessidades básicas.

“Não conseguimos usar o banheiro porque não tem como dar descarga, não tem como lavar o cabelo, não tem como lavar a louça. Tive que comprar descartáveis porque não tem água para lavar. Está uma situação muito insalubre. E não há uma previsão de quando isso vai normalizar”, disse.

Como a água é limitada, estamos comendo apenas comidas instantâneas ou congeladas, ou alimentos que não necessitam de água no preparo. A marmita é muito cara para comprar todos os dias, então estamos comendo alimentos mais acessíveis na rua. Nossa alimentação está bastante desregulada, já chegamos até a pular algumas refeições durante o dia”.Rebeca Oliveira

professora de reforço

Rebeca ainda detlahou que vive em uma casa sobreposta e observou que, semelhante ao relatado por Germena Alves, a pressão da água não consegue subir além do nível da rua.

Segundo ela, isso faz com que os moradores se mobilizem para encher baldes, bacias e garrafas com o pouco de vazão liberada logo cedo. Entretanto, essa ação precisa ser rápida.

“De manhãzinha, as casas que têm torneira liberam uma água bem fraca, mas quando chega no meio-dia, ela para de jorrar e só volta no dia seguinte”, explicou.

O que disse a Cagece?

Diário do Nordeste demandou a Cagece nessa segunda-feira (13) quanto à falta d’água no Conjunto Ceará. Em resposta, a companhia informou que equipes técnicas foram a campo investigar a causa da ocorrência e que “medidas estão sendo tomadas para que o abastecimento seja normalizado o mais breve possível”. 

A professora Rebeca e outros moradores questionaram a companhia sobre o assunto. O retorno foi de que o abastecimento na região será normalizado até esta sexta-feira (17).

Nessa terça-feira (4), a reportagem entrou em contato com a Cagece atrás de um posicionamento quanto às denúncias da população do bairro José Walter.

Por meio de um comunicado, a estatal afirmou que a vazão que abastece o Residencial Cidade Jardim foi aumentada e “o abastecimento começou a ser normalizado ainda na noite de ontem (13)”.

180 bairros da Grande Fortaleza ficaram sem água

Sete cidades cearenses tiveram o serviço de abastecimento de água interrompido a partir da última quarta-feira (8). A lista inclui os municípios de Fortaleza, Maracanaú, Pacatuba, Itaitinga, Eusébio, Aquiraz e Maranguape.

Conforme informado pela Cagece na ocasião, o motivo é uma série de reparos em equipamentos do sistema de abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza que objetiva “otimizar a segurança das instalações e assegurar eficiência e continuidade no fornecimento de água”.

Estatal orienta que a população deve usar a água reservada com moderação.

Legenda: Estatal orienta que a população deve usar a água reservada com moderação.

Foto: Fabiane de Paula.

A companhia reforçou que o reabastecimento do serviço aconteceria de forma gradual após os serviços, sem horário exato.

Porém, após uma demanda feita pelo Diário do Nordeste na última semana, a Cagece assegurou que a normalização completa do serviço de abastecimento estaria completa até o fim da última quinta-feira (9).

Segundo a Cagece, os serviços que levaram à suspensão da água foram concluídos “uma hora antes do prazo inicialmente estimado” e o abastecimento foi retomado em seguida. 

“Como o sistema funciona por pressão, nesta quinta-feira (9), o abastecimento encontra-se em fase de reequilíbrio, etapa necessária para que a água volte gradualmente a todas as áreas atendidas pela Estação de Tratamento de Água (ETA) Gavião”, explicou, na semana passada.

Informações ou reclamações

Caso os clientes da Cagece queiram ter mais informações ou registrar reclamação sobre o serviço, a companhia tem diferentes canais de atendimento.

É possível ligar para o número 0800 275 0195, acessar o Cagece App (disponível para Android e iOS), ou falar com a assistente virtual Gesse, que atende pelo site da companhia.

Fonte:https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/

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